quarta-feira, 11 de março de 2009

Paulo Moura homenageia Dorival Caymmi no Clube do Choro


No repertório dos shows, Paulo Moura toca sucessos de Caymmi, como Marina
Paulo Moura e Dorival Caymmi nunca gravaram juntos. Entre idas e vindas, no entanto, suas trajetórias acabaram por se cruzar nos caminhos da música brasileira e o encontro inevitável entre a habilidade de um e a obra do outro ocorreu em 1992. No disco Paulo Moura e Ociladocê interpretam Caymmi – relançado em 2007 pela Biscoito Fino –, o saxofonista, clarinetista e maestro paulista entregou-se enfim ao som praieiro do compositor baiano. Quando faleceu no ano passado, Caymmi deixou, em sete décadas de carreira, um legado singular – pequeno em termos de quantidade (pouco mais de 100 canções), mas fundamental pela qualidade – mais do que digno de homenagens, como a que recebe agora do Clube do Choro com o projeto Dorival para sempre Caymmi. E quem abre a temporada de releituras instrumentais do mestre é exatamente o Paulo Moura Quarteto. Desta quarta (11/03) a sexta, sempre às 21h45, o grupo apresenta um repertório que traz o que há de mais afro-brasileiro na música de Caymmi. No show, sucessos como Marina, Doralice, Samba da Minha Terra e Noite de Temporal – esta numa “variação bem fantasiosa”, adianta Moura. O desafio, ele reconhece, é grande: “Não é tão fácil colocar instrumentalmente a música dele, que tem muito valor como letra, como canção”. Se no disco o sexteto Ociladocê acompanhou Moura, em Brasília ele se apresenta ao lado de conhecidos de longa data a quem não poupa elogios: Osmar Milito no piano, Sérgio Barroso no contrabaixo e o brasiliense Erivelton Silva na bateria. A relação com o choro, a que deu nuances afro-brasilieras com a percussão, começou na década de 1980 e lhe rendeu ao longo dos anos rápidas temporadas em Brasília. A cada visita, ele lembra, tenta fazer uma apresentação diferente e, desta vez, não tem dúvida de que o repertório de Caymmi, que tangencia gêneros diversos como a bossa nova, por si já garante o toque original. No currículo, Paulo guarda, além da atuação como solista da orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, participações em momentos "certos” da música nacional. Só para citar alguns exemplos: em 1962, aos 30 anos, estava nas noites de bossa nova no Carnegie Hall em Nova York; em 1969, com Maysa no Canecão, e, em 1988, na estreia de Marisa Monte. Em abril próximo, as paradas de Moura incluem Marrocos e Tunísia, onde apresenta músicas de Pixinguinha do CD gravado em 2000 com os Batutas e que lhe rendeu um Grammy Latino. O projeto em homenagem a Caymmi – que prevê 120 shows com 40 atrações entre intérpretes e renovadores de sua obra – continua na próxima semana com o quarteto do trombonista Raul de Souza.


Fonte: Correio Braziliense

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